quinta-feira, 11 de abril de 2013

Entrevista: Sergio Rezende fala sobre ciência, carreira, educação e política



Foto: Antonio Cruz / ABr

Após 40 anos dedicados à gestão científica, o físico Sergio Machado Rezende retornou à Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) para ser cientista integralmente, e diz pretender seguir este caminho. Desde que deixou o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), em 2010, o cotidiano dele tem sido em laboratórios, congressos, palestras e entrevistas, como esta realizada pelo blog Dissertação Sobre Divulgação Científica.

Além de falar sobre a própria carreira, durante a entrevista, Sergio Rezende comentou a respeito da realidade e das perspectivas científicas nacionais, da educação e da polêmica lei que reestrutura o plano de carreiras do magistério público federal, assim como sobre política – incluindo a possibilidade do governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB) se candidatar à Presidência da República.

Breve perfil do entrevistado
Sergio Machado Rezende nasceu em 03 de outubro de 1940, no bairro de Botafogo – clube de futebol para o qual torce -, no Rio de Janeiro. Filho de pai advogado e mãe dona de casa, ele cursou o primário na escola municipal Pedro Ernesto e o ensino médio no Colégio da Aplicação da então Universidade do Brasil. No vestibular, embora gostasse de física, optou pela Engenharia Eletrônica na Pontifícia Universidade Católica (PUC-RJ -  conclusão em 1963), até mesmo porque, além de se interessar pelas comunicações, nos anos 1950, a ciência brasileira era muito pouco desenvolvida.

Durante a graduação, ele se aproximou mais do ambiente acadêmico, através de uma bolsa de iniciação científica, do  Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), que obteve por dois anos, apoio considerado por Rezende de relevância ímpar para descobrir novos talentos para a pesquisa. Como não havia programa de mestrado no Brasil naquela época, ele foi incentivado por um professor a cursar o mestrado (1965) e o doutorado (1967) no Massachusetts Institute of Technology (MIT), em Cambridge, nos Estados Unidos.

De volta ao Brasil, o então professor da PUC-RJ foi convidado para estruturar um grupo de pesquisas em física na UFPE, o que aceitou, após certa hesitação. Em Pernambuco, ele também foi: chefe do Centro de Ciências Exatas e da Natureza da UFPE; secretário estadual de Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente; secretário do Patrimônio, Ciência e Cultura, da Prefeitura de Olinda; e diretor científico da Fundação de Amparo à Ciência e Tecnologia do Estado de Pernambuco (Facepe), a primeira FAP do Nordeste. Outros cargos de gestão dele foram a presidência da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e o próprio MCTI. 



Confira a entrevista:

Qual a dinâmica e rotina a sua carreira assumiu após o senhor deixar o MCTI?
Sergio Rezende: Desde meados de 2010, eu comecei a ter a vontade de me dedicar com mais intensidade às minhas atividades de pesquisa, até porque durante os meus 40 anos de carreira, eu não havia reservado um período para ser cientista integralmente. Mesmo como gestor, sempre procurei reservar parte do tempo para a produção científica, mas hoje é diferente, porque é o meu trabalho principal.

O meu cotidiano é o de um pesquisador. Basicamente, leio e produzo muitos papers, participo de conferências e atendo a convites para proferir palestras e conceder entrevistas. Há poucos dias, por exemplo, participei da aula-inaugural da pós-graduação em física da Universidade Federal do Ceará (UFC), onde falei sobre o tema A Física no Brasil, apresentando aspectos da pesquisa em si, a política científica e também fatos históricos.

Confesso que precisei me adaptar à nova rotina, que é menos movimentada do que antes, mas estou muito satisfeito. Pela primeira vez, tenho a oportunidade de pesquisar e ser competitivo internacionalmente em minha área, que é a de materiais magnéticos.

O senhor pretende seguir realizando pesquisas ou ainda pensa em retomar às atividades políticas e de gestão?
Sergio Rezende: Neste momento, o meu interesse é mínimo em assumir cargos administrativos. Até recebi convites desde a minha saída do Ministério, mas tenho conseguido recusá-los. Estou cientificamente realizado, mas se em algum momento eu não tiver o retorno e o êxito esperados, terei a iniciativa para atuar em outros segmentos profissionais, como o de gestão mesmo.

Porém, a quantidade de convites para dar palestras, inclusive fora do Brasil, sobre a minha área de trabalho indica que o meu norte, atualmente, é o da pesquisa em física. E um grande interesse tem sido pela spintrônica, que é a eletrônica feita com o spin do elétron.

O que o senhor aprendeu como ministro?
Sergio Rezende: Eu aprendi bastante a trabalhar melhor coletivamente, a ouvir outras pessoas. A elaboração do Plano de Ação (PACTI) 2007-2010 foi um ótimo exercício para eu desenvolver este lado, pois foi preciso dialogar com muitos setores e profissionais com visões e características distintas. Através destes contatos, tive a oportunidade de me expor, ainda que superficialmente, à realidade de outros campos do conhecimento, como a astronomia e a biotecnologia.

Outro aprendizado foi a difícil convivência com os políticos, que em geral são imediatistas e atuam com propósitos eleitoreiros, prejudicando um planejamento mais sólido e consistente do sistema de C,T&I. Claro que há exceções, mas a grande maioria dos políticos é pragmática e com visão limitada. Essa postura reflete o espaço da ciência na sociedade, em que os setores das pesquisas ainda são pouco valorizados no Brasil, motivo pelo qual o MCTI não é, politicamente, um órgão tão atraente e visado. Afinal, só começamos a fazer ciência há muito pouco tempo.

O PACTI 2007-2010 foi a sua principal medida no MCTI?
Sergio Rezende: Certamente. Tive a ideia deste Plano quando o presidente Lula anunciou o Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), o que me estimulou a criar mecanismos para que o segmento científico e tecnológico também pudesse participar desta oportunidade oferecida pelo governo federal. Apresentei as ideias gerais do PACTI ao então presidente, conversamos durante alguns meses, procuramos articular outros ministérios e órgãos, até a elaboração do documento, que foi muito bem-sucedido. Fiquei bastante feliz por isso.

O senhor gostaria de ter implementado no MCTI alguma medida, mas por determinado motivo deixou de fazer?
Sergio Rezende: Sim. Uma delas é a implantação de cinco novos centros de pesquisa do MCTI, com o objetivo de distribuir melhor as unidades de pesquisa do Ministério. Nós enviamos um Projeto de Lei (PL) ao Congresso Nacional, em julho de 2010, porque esta iniciativa só pode ser concretizada por meio de lei. As instituições a serem criadas pelo PL são: o Centro de Tecnologia Estratégica do Nordeste, em Recife; o Instituto Nacional das Águas, com sede em Foz do Iguaçu-PR e em Minas Gerais; o Centro Nacional do Pantanal; o Instituto Nacional da Mata Atlântica; e o Centro de Tecnologia de Microeletrônica, em Porto Alegre-RS.

A outra medida que eu gostaria de ter finalizado é a consolidação do Sistema Brasileiro de Tecnologia (Sibratec), formado por um conjunto de unidades de pesquisa com o objetivo de aumentar a articulação entre universidade, centros de pesquisa e empresa. 

Quais são as suas expectativas destas duas medidas serem concretizadas?
Sergio Rezende: Eu tenho boas esperanças que as propostas sejam efetivadas e tenham sucesso. Sobre o Sibratec, o documento Estratégia Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação, do MCTI, prevê a consolidação do sistema, através da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii), criada em 2011. Embora esta ainda não tenha recebido muitos recursos e obtido os resultados esperados, espero que nesta segunda metade do governo da presidenta Dilma Rousseff, haja um significativo avanço.

Em relação aos cinco institutos, o projeto está para ser aprovado no Congresso, onde já passou por algumas comissões e acredito que deva ser aprovado, ainda este ano.

O senhor comentou sobre o documento “Estratégia Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação” - com previsão de investimentos da ordem de R$ 75 bilhões, para 2012-2015? Como o senhor avalia esta proposta?
Sergio Rezende: O documento está bem elaborado e representa, em termos de metas e estratégias, uma expansão das políticas empregadas anteriormente. Nesse sentido, é positivo. Porém, o orçamento é global, sem especificações detalhadas das fontes de investimentos. Nos últimos anos, não houve um crescimento dos recursos destinados à C,T&I. Portanto, é preciso um acompanhamento e uma avaliação para corrigir os valores e nos adequarmos ao momento e ao ritmo do processo.

Podemos considerar a Embrapii como a grande aposta do governo para aproximar os setores da pesquisa e da indústria/empresa?
Sergio Rezende: Podemos, sim. A Embrapii se inspira num modelo de sucesso e altamente competitivo internacionalmente, que é o da Embrapa, empresa com história consolidada em pesquisa e inovação, o que permite aos produtos brasileiros adquirir qualidade e preço nos mercados globais. E se tudo der certo, a Embrapii vai conseguir colocar na agenda das empresas nacionais os processos de inovação, pesquisa e desenvolvimento.

Sergio Rezende em simpósio no Japão, em 2011,
ao lado de Heinrich Horer, Prêmio Nobel de Física
Por que a Embrapa costuma ser lembrada como um modelo de gestão para a C,T&I?
Sergio Rezende: Desde a fundação da Embrapa, os primeiros gestores já perceberam a impossibilidade de concentrar somente nesta instituição todas as atividades necessárias para a agricultura e o agronegócio, porque as regiões brasileiras são muito diversificadas, com características bem peculiares. A partir de então, buscou-se a parceria com institutos estaduais, que passaram a receber recursos para desenvolver as pesquisas adequadas às próprias territorialidades. Houve uma descentralização das operações.

Outra medida essencial foi a cooperação com as universidades, como as universidades federais rurais. Além disso, estudos de áreas estratégicas permitiram ao Brasil desenvolver produtos em qualquer ramo da agricultura e da agropecuária, beneficiando o domínio de certos conhecimentos dos quais antes indispúnhamos de tradição. Por exemplo, na década de 1960, o país não produzia soja, ao contrário dos Estados Unidos e da Argentina. Hoje, somos um dos principais produtores mundiais deste grão.

Retornando à Embrapii, creio que esse pensamento será aplicado ao Sibratec e nós vamos conseguir atingir um patamar elevado de inovação.

Qual é o papel das universidades no processo de inovação?
Sergio Rezende: As pesquisas são muito importantes nas universidades, mas a função delas é, basicamente, a formação de recursos humanos, tanto na graduação quanto na pós-graduação. A qualidade dos profissionais que atuam ou vão atuar nas atividades de inovação de produtos, serviços e processos está diretamente relacionada ao papel da universidade, à qual não cabe atingir a etapa final.

Para formar pessoal e elaborar boas dissertações de mestrado e teses de doutorado, muitas vezes o importante é apontar caminhos, dentro de uma linha flexível de trabalho. Não deve-se traçar precisamente um alvo a ser conquistado. Em qualquer lugar do mundo, o que as universidades fazem é formar recursos humanos e gerar conhecimento, principalmente em pesquisa básica.

Recentemente, publiquei no blog uma entrevista com o deputado Romário sobre um Projeto de Lei, de autoria dele, que visa facilitar a importação de produtos para pesquisas. Qual é a sua opinião sobre o tema?
Sergio Rezende: Este é, certamente, um dos empecilhos para a pesquisa brasileira. Na minha área de trabalho, que é a física experimental, há muita demanda por produtos importados, embora aqui em Pernambuco tenhamos bastante capacidade de construir equipamentos de eletrônica. Portanto, presencio de perto este problema. Ano passado, por exemplo, o nosso grupo fez uma solicitação, cujo produto importado demorou praticamente um ano para chegar, o que representa um prejuízo para a pesquisa, que requer agilidade.

Nas áreas biológicas, esse fator é ainda mais grave, porque além das autorizações compartilhadas com outros campos, há ainda o aval da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), enquanto que na agropecuária, a autorização é do Ministério da Agricultura.

Por isso, o Plano de Ciência e Tecnologia 2007-2010 previu ações, principalmente relacionadas à Receita Federal, para facilitar esse processo de importação. Muitas providências foram tomadas, mas de fato ainda não resolveram o problema, embora tenham aperfeiçoado o processo. Por isso, vejo com bons olhos o projeto do deputado Romário e espero que seja aprovado o quanto antes no Congresso Nacional.

Qual é o seu posicionamento a respeito da lei que reestrutura o plano de careiras do magistério público federal (12772/2012)?
Sergio Rezende: Na minha opinião, essa lei representa grandes retrocessos na carreira dos professores das universidades federais. Segundo a regra que vigorava de 1974 até então, o título de mestre era requisito para ser professor-assistente, enquanto que o de doutor permitia ao profissional ser professor-adjunto ou titular.

Os concursos públicos, portanto, exigiam diplomas correspondentes, mas com a nova lei, o ingresso na docência se dá exclusivamente pelo menor nível, que é o de auxiliar de ensino, mesmo que o candidato tenha o doutorado. Hoje, é possível que um docente atue no segmento como adjunto, sem ser doutor. Outra falha é o fato de o professor só poder ser titular, pelo menos, vinte anos após o doutoramento.

A lei, aprovada numa demanda confusa, é prejudicial à universidade brasileira, que fica numa situação até vexatória em comparação com outras instituições educacionais no mundo. Felizmente, tem havido alguma mobilização para que o texto seja revisto e os problemas sejam contornados. A Sociedade Brasileira Para o Progresso da Ciência (SBPC) e a Academia Brasileira de Ciências (ABC) são duas entidades engajadas neste esforço, assim como o nosso departamento de física aqui da UFPE, que elaborou um documento com análises da questão e sugestões para a alteração da lei.

Qual a sua perspectiva em relação à possibilidade dos recursos do pré-sal serem destinados à C&T?
Sergio Rezende: Uma grande inovação feita pelo Brasil em prol do financiamento da ciência foi a criação dos fundos setoriais, cujo de maior volume é o dos royalties do petróleo. Portanto, a ideia que envolve os recursos do pré-sal direcionados à C,T&I é uma evolução de propostas já implementadas.

A nossa preocupação é sobre os investimentos prolongados na ciência, pois como o setor científico não possui impacto e visibilidade sociais a curto prazo, muitos políticos com visões imediatistas podem lutar para que tais recursos sejam destinados a outros objetivos com mais capacidade de atrair a simpatia da população. Portanto, definir através de regras claras o montante a ser aplicado na C,T&I é essencial para que as pesquisas tenham continuidade a ponto de gerarem os benefícios dos quais o país precisa.

Qual é o espaço das ciências humanas e sociais no sistema de C&T?
Sergio Rezende: Elas têm um espaço muito importante para o país no processo científico. Atualmente, há grupos com pesquisadores de nível elevado, que possuem competitividade e reconhecimento internacional, fruto de décadas de investimentos. As ciências humanas e sociais demoraram a receber recursos e apoio para as pesquisas e a pós-graduação, se compararmos com as ciências exatas e naturais, mas o quadro hoje é outro, bem favorável.

Qual é o espaço da divulgação científica no sistema de C,T&I?
Sergio Rezende: O Brasil tem ótimos exemplos de divulgação científica realizada com sucesso, como os museus Espaço Ciência, em Recife, Estação Ciência, em São Paulo, Estação Ciência, Cultura e Artes, em João Pessoa-PB, e o museu da Pontifícia Universidade Católica, em Porto-Alegre-RS. Todos eles possuem importantes canais de proximidade com escolas. Além disso, devo destacar algumas iniciativas da SBPC, como a revista Ciência Hoje, o Jornal da Ciência e o JC e-mail.

Por outro lado, o trabalho da grande mídia na cobertura de ciência é muito ruim, pois só se interessa por boas pesquisas internacionais ou desastres aqui no Brasil. Dificilmente há matérias que destacam positivamente a C,T&I nacional.

Em entrevista a um programa de televisão, o atual ministro da C,T&I, Marco Antônio Raupp, deu nota 7 para a ciência nacional? O senhor concorda com ele, ou daria outra nota?
Sergio Rezende: A minha avaliação é bem parecida com a do ministro, pois atribuo a nota 6,5 à ciência brasileira. O setor estará em posição mais satisfatória quando aumentarmos a qualidade da nossa pesquisa básica e aplicada, a quantidade das publicações e melhorarmos a distribuição geográfica da ciência.

O senhor é filiado ao PSB, substituiu o atual governador de Pernambuco, Eduardo Campos, no MCTI e trabalhou com o avô dele, Miguel Arraes, três vezes governador do Estado. Qual é a sua interpretação sobre a possibilidade do Eduardo Campos se candidatar à Presidência?
Sergio Rezende: Ele é um gestor altamente competente, está fazendo um grande governo em Pernambuco, onde estou há 40 anos e nunca vi um governador tão popular quanto ele. Porém, entendo ser mais natural a candidatura do Eduardo Campos à Presidência em 2018, porque a presidenta Dilma Rousseff deve buscar a reeleição e o PSB compõe a base do governo.

Por outro lado, Campos, como um político habilidoso e ambicioso, pode se lançar já para as eleições de 2014. Só espero que a decisão seja tomada no momento certo, não agora, e que ele evite aliar-se com a direita da política brasileira. O governador possui uma história com os movimentos de esquerda, pela justiça social e distribuição da renda, vínculo que deve ser sustentado.

Qual a sua opinião sobre a conquista da Amazônia pela C,T&I, uma bandeira do Ministério?
Sergio Rezende: Amazônia é uma área vastíssima e sofre com o desmatamento. Felizmente, nos últimos dez anos, devido a ações dos governos federais e estaduais, o desflorestamento tem sido reduzido. A riqueza da região nos permite explorar recursos que vão muito além da madeira, cujo uso é o mais primário. Muitos medicamentos são feitos a partir de princípios ativos que estão na natureza, e um desafio de C&T é descobrir onde estão e como transformá-los em produtos comerciais e úteis. 

O Brasil possui um esforço científico na Amazônia, mas ainda está aquém das nossas necessidades e demandas. O Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) faz um trabalho muito bom em alguns setores, mas quase não tem atividades de biotecnologia. Por outro lado, foi criado há cerca de dez anos o Centro de Biotecnologia da Amazônia (CBA), que funciona mal, está vinculado ao Ministério da Indústria e Comércio e ligado também à Zona Franca de Manaus. Esta não é a melhor alocação institucional para ele, que deveria estar ligado à Embrapa ou ao MCTI. A Amazônia é uma preocupação, porque a capacidade de gerar riqueza está longe do ideal.

Há algum tópico sobre o qual o senhor gostaria de comentar, mas deixamos de abordar na entrevista?
Sergio Rezende: Gostaria apenas de deixar claro os dois grandes desafios para a C,T&I e o desenvolvimento nacional. Um deles é o investimento de forma contínua e ampliada no setor científico. O Brasil investe cerca de 1,1% do Produto Interno Bruto (PIB) em ciência, enquanto que os países desenvolvidos destinam mais de 2% ao segmento. Nos EUA e na Alemanha, por exemplo, esse índice é de 2,7%, e em Israel, um país pequeno e bastante dependente de tecnologia, o montante é de 5%. O outro desafio requer mais do que recursos financeiros, pois remete à mudança cultural e de mentalidade dos empresários para incorporar a inovação no processo produtivo.

Apesar das dificuldades, sou bem otimista, até porque a realidade científica nacional melhorou consideravelmente nos últimos dez anos, e a expectativa é positiva para a década seguinte, na qual vamos celebrar os 200 anos de independência... formal, porque a independência real só chegará quando adquirirmos autonomia para decidir por nós mesmos sobre qualquer assunto, e isso remete, necessariamente, à maturidade científica.

Um comentário:

  1. Este é e será o meu eterno MINISTRO do MCTI.

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