quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Jornalista da Faperj se diz otimista em relação à divulgação da C&T



Uma visão otimista. Esta frase poderia resumir (bem resumido) a perspectiva do mais recente entrevistado do blog Dissertação Sobre Divulgação Científica. O jornalista Paul Jürgens, 53 anos, acredita que o crescente interesse pela ciência e tecnologia (C&T) se reflete nos noticiários.  "Esse quadro é fruto, entre outros aspectos, dos investimentos no campo e da vontade social de saber mais sobre a C&T”, declara.

Nascido em Petrópolis, cidade serrana do Rio de Janeiro, Paul responde pela Assessoria de Comunicação da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj), é correspondente da revista francesa Courrier Internacional  (ligada ao Le Monde) e foi representante brasileiro da ONG Repórteres Sem Fronteiras, que defende internacionalmente a liberdade de imprensa.

Paul Jürgens graduou-se em jornalismo em 1981 no Centro Unificado Profissional (hoje a Faculdade da Cidade) e cursou o mestrado na Universidade do País de Gales, onde foi bolsista do British Council. Filho de pai industrial e mãe advogada, ele diz ser apaixonado por leitura e ter chegado por acaso ao campo da divulgação científica.

Confira a entrevista:

Como foi a sua inserção na divulgação científica e tecnológica?
Paul Jürgens: O meu primeiro contato com o campo foi em 2001, quando após um período na Europa eu retornei ao Brasil para atuar como bolsista do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) em um projeto interdisciplinar de organização do rico acervo do Museu Nacional, onde fiquei por dois anos. Basicamente, a minha atividade era a de elaboração e revisão de textos. Antes de conhecer mais de perto a DCT, a minha experiência foi em outras editorias do jornalismo, como na cultura, geral e esportes.

E como você chegou à Faperj?
Paul Jürgens: Em 2003, eu e uma colega que atuava na editoria de Ciências do Jornal do Brasil recebemos uma proposta para trabalhar na reformulação da Assessoria de Comunicação da Faperj. A partir daí, pude expandir, conhecer melhor e consolidar o meu conhecimento na divulgação.

Como você classifica a atual realidade da divulgação científica nacional?
Paul Jürgens: O campo vive um período de prosperidade, após muitos altos e baixos. Antes, o desenvolvimento da DCT ocorria por iniciativas pontuais e isoladas de pessoas e grupos interessados em difundir os conceitos de Ciência e Tecnologia (C&T) no país. Hoje, a evolução e os investimentos da popularização estão solidificados e há mais profissionalismo, unidade e homogeneidade que orientam o aperfeiçoamento do sistema. 

Esse quadro reflete a crescente importância que a educação e a C&T têm assumido na sociedade pós-moderna. Considero, portanto, a DCT como um campo promissor e que a médio e longo prazos ocupará um espaço mais significativo no noticiário. Há muito o que percorrer, é verdade, mas estamos no caminho.

Quais são as prioridades pontuais que norteiam as atividades da C&T e da DCT?
Paul Jürgens: Difícil dizer, pois cada segmento possui as próprias prioridades. A ideia de interdisciplinaridade revela que a perspectiva atual é a interação e o diálogo entre áreas e disciplinas – relacionamento sempre pautado pela inovação.

Como você observa o tradicional conflito e a falta de entendimento entre divulgadores e cientistas?
Paul Jürgens: O cenário de resistência e incompreensão vem mudando de uns anos para cá, e o crescente número de assessorias de imprensa dentro das instituições de pesquisa revela tal aproximação e intensificação dos diálogos. Os pesquisadores estão mais conscientes do papel da DCT dentro do sistema da C&T. Todos já reconhecemos que a divulgação contribui, entre outras funções, para sensibilizar e elevar o nível cultural e educacional da sociedade, além de dar visibilidade a setores para a conquista de apoio e investimentos por parte das instituições públicas e também privadas.


"Enquanto o pesquisador trabalha há anos em um determinado projeto, os jornalistas precisam se adequar às expectativas da sociedade e facilitar a expressão das informações. O principal desafio é encontrar esse equilíbrio"



Apesar do aperfeiçoamento, ainda há barreiras que prejudicam a interação. Quais são essas dificuldades?
Paul Jürgens: O problema principal é a transposição das linguagens codificadas. Quase sempre as informações científicas são densas e inseridas em um contexto técnico e complexo. Enquanto o pesquisador trabalha há anos em um determinado projeto, os jornalistas precisam se adequar às expectativas da sociedade e facilitar a expressão das informações. O principal desafio é encontrar esse equilíbrio, ser acessível sem prejudicar a qualidade da produção original.

Quais as habilidades o profissional da DCT e os cientistas precisam adquirir para a atividade de divulgação ser exercida com qualidade?
Paul Jürgens: Bem... o jornalismo, especificamente, é um campo dinâmico, exige uma formação diferenciada, sensibilidade para lidar com o fluxo informacional e, no caso, muito interesse pela ciência. Já o pesquisador precisa absorver melhor os anseios sociais pela informação em C&T e ser mais receptivo. A contribuição dele é fundamental para o êxito do processo.

Qual a sua opinião sobre o impacto das Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs) nesse relacionamento?
Paul Jürgens: Tudo o que contribuir para o aperfeiçoamento e a agilidade do contato entre ambos é válido. As novas tecnologias representam o progresso e devem, com certeza, ser aproveitadas, pois já fazem parte do cotidiano social.

Há algum tópico sobre o qual gostaria de comentar, mas deixamos de abordar na entrevista?
Paul Jürgens: Acho que conseguimos abordar tópicos relevantes sobre o tema. Estou satisfeito.


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